dario argento, o melhor diretor de filmes ruins do mundo
Hoje é 7 de setembro, uma data importante. Não pela lenga-lenga da Independência do Brasil, esse dia em que Dom Pedro II, em seu cavalo branco de Napoelão, teria liberado no País as piadas de português. No sétimo dia de Setembro se comemora o “Dia do Giallo” – e isso sim é importante! É aniversário de Dario Argento.
Filho de mãe brasileira, com mais de 20 filmes no currículo, Argento é pouco conhecido e divulgado no Brasil, não há espaço para seus filmes nas grades de TV, as locadoras têm medo de disponibilizar filmes tão estranhos, as grandes lojas não vendem seus DVDs. Sim, boa parte da filmografia de Argento saiu no Brasil, comprei uns três ou quatro de seus filmes em bancas de DVD de supermercado de periferia… onde eles foram parar.
É incrível que um diretor como ele, que impressionou e influenciou Kubrick, DePalma e Tarantino – para ficarmos apenas no primeiro time -, não seja tratado com, pelo menos, mais cuidado. O que disseram sobre Serge Gainsbourg (“Se fosse americano estaria no mesmo nível de um Dylan”) talvez possa ser dito sobre Argento em paralelo com um desses grandes e estilosos cineastas americanos, talvez um David Lynch não tão recente. Nem evoco alguém do cinema fantástico ou de terror porque o cinema americano não tem, de fato, um GRANDE representante nessa linha, talvez John Carpenter. E Argento reina como poucos – mesmo cometendo grandes erros.
O homem começou em 1970 com “O Pássaro das Plumas de Cristal”, filme que inaugura seu estilo que ele passa a perseguir, canibalizar, introjetar, referenciar. Quase todos os outros filmes dele tem algo de “O Passáro…”, mesmo aqueles que exploram mais o fantástico que o thriller. Dizem que o filme foi inspirado pelo “Blow Up” do Antonioni, que é cheio de citações a Hitchcock, que a direção tem mais de Vitorio Storaro (fotógrafo de cena, Morricone fez a trilha) que de Argento… Não acho nada disso; acho que Argento estava meio perdido fazendo seu primeiro filme e nem ele mesmo soube direito como fez o que fez. Os caminhos que o filme percorre, na investigação de um crime, se perdem e se encontram tanto que o final não faz a menor diferença: temos um balé de cenas tão interessantes que o conjunto quase não importa.
Muitos dizem que “O Pássaro…” é um aquecimento para “Profondo Rosso – Prelúdio para Matar”, a obra-prima que ele faria cinco anos depois. O filme só não é melhor porque Argento tinha conhecido uns caras duma banda chamada Goblin e eles, infelizmente, se tornariam parceiros fiéis nas trilhas. A música eletrônica dos caras só não é pior que as músicas de heavy-metal que Argento também inventou de meter nos filmes. Dá saudade da inventiva trilha de Morricone de “O Pássaro…”.
Na mesma linha desse dois filmes surgiria depois “Sleepless” (2001), com Max Von Sydow, melhor que a média dos filmes mais recentes do diretor.
Além desses três, gosto muito de “Trauma” (1993) e do “Terror na Ópera” (1987), filmes que revelaram ao mundo a beleza da filha do diretor, Asia Argento. Esses cinco filmes resumem a maravilha do fazer de Argento, que antes de se tornar diretor escreveu filmes, como “Era uma vez no Oeste”, de Sergio Leone.
Há quem goste dos filmes mais oníricos, esse efeito de sonho/pesadelo que Argento consegue com sua câmera fluídica… Mas o incensado “Phenomena” (1985) ou mesmo “Suspiria” (1977) não entram em minha lista dos melhores dele.
Seu último filme, recém-rodado, está sendo muito aguardado. Chama-se, adequadamente, “Giallo”, amarelo em italiano, que é como chamavam as revistinhas de terror e mistério com capa amarela que eram vendidas em bancas italianas. Virou definição de tipo de filme, como “Noir”. E em termos de Giallo, Argento virou sinônimo. Como Raymond Chandler e Dashiel Hammet para o Noir.

setembro 8th, 2008 às 12:43
Eu realmente me divirto com Dario Argento. Conheço menos do que tu, mas, como gosto de esquisitices…
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setembro 11th, 2008 às 0:57
gosto muito do Hitchcok por tudo que voce me mostrou dele. Os passaros e muito bom. to com saudades. me liga.
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setembro 14th, 2008 às 14:10
Tô com um filme com a filha dele aqui em casa pra assistir. Nao sabia que era filho de brazuca.
Legal!
Abracos,
Clarisse
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