De todos os filmes que chegaram às telas aí pelo final do ano, nenhum me deu tanta vontade de ver do que “A Invasão”, o quarto remake de um dos roteiros mais geniais da história do cinema, baseado numa história que tem um leitmotiv único: como seria se os nossos inimigos tivessem a aparência das pessoas que amamos?

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O filme original, de 1956, de Don Siegel, é obra-prima da ficção científica e clara metáfora/analogia do macartismo, quando a América caçava comunistas que bem podiam ser os seus simpáticos vizinhos. O primeiro filme que vi – e reputo genial – é o primeiro remake, de 1978, de Philip Kaufman. Assisti com 10 ou 11 anos, quando passou na Globo. Eu estava deitado sozinho no sofá vermelho da minha vó, era um sábado, já tinha todo mundo ido dormir. Eu fiquei até o fim porque depois de vinte minutos de filme tinha a plena convicção de que jamais eu sairia daquele sofá – nem mesmo para desligar a televisão. Na verdade, penso que estou naquele sofá até hoje.

O filme de Kaufman saiu no Brasil em VHS, mas acho que nunca em DVD. Pena. Se não tem a carga dramática dos tempos políticos do original (embora em 1978 a América vivesse o escândalo Watergate), “Os Invasores de Corpos” de Kaufman é mais cinema, é mais terror e mais… atores bacanas. Sim, um filme de terror científico com Donald Sutherland, Leonad Nimoy, Veronica Cartwright e Brooke Adams já valeria uma olhada. Aliás, vale ressaltar que a fotografia do filme é de Michael Chapman.

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Depois, em 1993, fiquei sabendo que Abel Ferrara faria um remake – e achei que podia dar merda, mas o filme ficou realmente bom. A grande sacada de Ferrara foi colocar um base militar como epicentro da dominação dos aliens. Numa base militar as regras são rígidas e todos se vestem do mesmo jeito então… fica ainda mais difícil saber quem está clonado. O roteiro do “Body Snatchers” de Ferrara reúne alguns dos grandes cérebros do cinema trash, como Larry Cohen e Stuart Gordon então só podia sair coisa boa. O filme foi indicado para a Palma de Ouro.

Depois de três filmaços como esses, reuniram o diretor de “A Queda – As Últimas Horas de Hitler”, Oliver Hirschbiegel com Nicole Kidman e Daniel Craig para o que poderia ser um grande remake. O que fizeram foi não só lamentável: devia haver alguma corte para julgar e condenar pessoas que fizeram algo como esse “A Invasão”. Tristemente horrível. Basta dizer que o final pessimista, presente nos três filmes anteriores, não é mantido. No lugar temos um reluzente café da manhã em que Kidman e Craig estão a ler jornais e dizer como o mundo é um lugar horrível para se viver.

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O mundo é mesmo um lugar horrível para se viver. Depois de um filme como esse, não dá para se fazer outra constatação.