O produtor e roteirista de TV Charles E. Sellier Jr. realizou um filme polêmico e ousado em 1984 sem saber que ele se tornaria um dos mais cultuados e originais filmes de horror: “Silent Night, Deadly Night“. Aqui chamou “Natal Sangrento” e foi hit de locações nos primórdios do videocassete.

Foi em vídeo que eu assisti, em 1985 ou 1986 e fiquei chocado.
Eu não era nenhum garotinho na época, sabia que Papai Noel não existe, mas não estava exatamente preparado para ver um Papai Noel carniceiro, que pegava suas vítimas com um machado.
Foi como se alguns preconceitos que eu tinha sobre histórias (não podemos fazer isso, falar sobre aquilo…)  caissem por terra.
Acho que foi aí que eu comecei a gostar de filme ruim.

Sim, filme ruim é só um modo de dizer ou de ver a coisa.
A história do garoto que fica traumatizado com o Papai Noel ao mesmo tempo em que arruma um emprego numa loja onde é obrigado a se vestir como o velhinho - o que detona sua crise - não é melhor nem pior que qualquer filme de Natal. (Veja o preview no YT.)
Haja saco para filme de Natal, vai dizer?

Mas nenhum filme de Natal causou tanto estrago quanto esse.
Os críticos detonaram. Ebert & Siskel gritaram “shame, shame“, Leonard Maltin deu zero estrelas e disse: “What’s next, the Easter Bunny as a child molester?“.
Em poucos dias em cartaz, teve que ser retirado por pressão de ligas religiosas. Entrou direto para a história.

Cartaz Original Papai Noel

Muitos acharam que era só oportunismo, mas o diretor/produtor se defendeu dizendo que era só outro filme de terror, onde o assassino era o Papai Noel. Nem muito suspense existia, já que dava pra deduzir tudo pelo cartaz ou pelas chamadas do filme. O que talvez incomodou foi a associação do sangue à roupa do velhinho.
Depois todos descobriram que era mesmo oportunismo. Os roteiristas fizeram uma continuação e nada mais: eram muito ruins, os diálogos do filme são de dar dó.
E o diretor/produtor Charles E. Sellier Jr. acabou em projetos como os documentários “Em Busca da Arca de Noé”, “O Triângulo das Bermudas” e mais recentemente “Quebrando o Código Da Vinci”.

“Silent Night, Deadly Night” virou uma franquia, num total de 5.
Só o primeiro prima por uma ruindade digna.
E justamente esse, está ganhando remake. Demorou.

Na última Mostra de Cinema de São Paulo, houve um filme que ganhou o mesmo nome nacional de “Silent Night…”. Nesse “novo” “Natal Sangrento”, uma árvore de Natal ganha vida e ataca um homem a golpes de guirlandas e bolas.
Quero ver.
Não há limites para o mau gosto.
Ainda bem.