o disco que mudou minha vida
Eu era muito pivete, um pirralho magrela que já estava habituado a ser o menor da classe. O mais baixinho. Uma professora muito bacana botou apelido: Tico. “Tico de Gente”; ela achava que era carinhoso, eu a perdôo por isso.
Vivia com febre, em intermináveis delírios. Meu único conforto era tarde da noite, quando a temperatura ficava amena e a Record passava filmes de ninjas, de ataques de abelhas e formigas assassinas e “Kolchak e os Demônios da Noite”.
Minha visão de futuro não era das melhores. Passava as tardes ouvindo discos velhos do Roberto.
Um dia apareceu um compacto de vinil vermelho que alguém ganhou num posto de gasolina - e era a Banda do Ratinho Atlantic.
Esse disco mudou minha vida.
Creio que mais ou menos na mesma época tirei as amídalas - a febre foi embora e me obrigaram a tomar litros de sorvete.
Minha vida estava melhorando sensivelmente.
Mas ainda era um mirradinho de óculos e não havia Os Paralamas para redimir gente como eu.
Pensei em procurar ajuda profissional, tipo… um psicólogo.
Mas eu tinha uma tia psicóloga que tratava de um amigo e… eu não achava que esse amigo estava muito melhor que eu não.
Achei que eu tinha que me virar por mim mesmo, tinha que sair da condição de inseto que a sociedade (só depois fui ler Sartre) me impunha.
Então, um dia, apareceu esse compacto da Banda do Ratinho Atlantic.
Hoje você pode rir, achar o nome ridículo. Mas passei horas virando o disquinho, ouvindo as duas músicas do compacto.
A preferida - e que mudou minha vida - foi a primeira, a “Marcha do Ratinho”.
Eu achava a música tão bonita, aqueles versos tão tocantes…
“Quem não é o maior, tem que ser o melhor…”
E eu pensava em ser o melhor em algo, já que as raízes profundas do complexos de inferioridade cresciam através de minhas solas.
Devagar, muito devagar, enquanto ouvia o disquinho, comecei a me imaginar melhor em algo.
A Banda do Ratinho Atlantic ribombou dentro de mim num grande foda-se a qualquer um com mais de um metro e setenta.
Eu devo minha vida a esse disco.
dezembro 18th, 2007 às 15:39
Como não conheço - creio que é um pouco antes do meu tempo, hehehe - fui lá no link indicado para baixar o disquinho. Depois te falo o que achei.
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dezembro 21st, 2007 às 0:43
Até que achei a primeira música boa. Fui escutar esperando algo muito mais infantil e simples, mas a Banda do Ratinho Atlantic surpreendeu! Não é algo que eu sinta vontade de escutar outras vezes, mas valeu o download.
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dezembro 27th, 2007 às 10:28
O desenho era do Redi, se não me engano. Grande ratinho Atlantic. BVela crônica também, Bia. Ia dizer que me lembrava os melhroes momentos do Ivan Lessa, mas na verdade me parece um dos melhores momentos do Biajoni.
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