o mundo segundo garp - 1982
O roteirista Steve Tesich ganhou o Oscar pelo seu primeiro roteiro, para o filme de disputa entre ciclistas, “Correndo Pela Vitória” (1979), de Peter Yates. O roteiro foi considerado tão bom que ganhou os principais prêmios, tornando-se um modelo para filmes de competição.
Tesich foi contratado a peso de ouro (para a época) para fazer o roteiro de um best-seller de um dos mais importantes autores americanos: “O Mundo Segundo Garp”, de John Irving. O escolhido para a direção foi George Roy Hill, que vinha de uma série de filmes de sucesso com Robert Redford e Paul Newman, como “Butch Cassidy e Sundance Kid” e “Golpe de Mestre”.
Hill estava acostumado com grandes astros, mas precisava de um “rosto sem história” para esse projeto. Garp, o personagem principal, era um sujeito estranho, estranhamente bem-humorado, um escritor que se leva a sério enquanto convive com figuras sensacionalmente hilárias. O nome escolhido foi do iniciante Robin Williams, que tinha sido o “Popeye” de Altman e vinha de aparições na TV. “O Mundo Segundo Garp” foi seu primeiro filme sem (muitas) caretas e quilos de maquiagem.
A mãe de Garp é um personagem relevante, uma feminista irascível da primeira hora, e precisavam de uma grande atriz. Uma atriz que também havia feito alguns telefilmes estava sendo muito comentada nos bastidores – e foi logo cooptada: Glen Close. Para o trio de personagens principais, para o papel da travesti Roberta, queriam um homem grande e meio desengonçado e encontraram em John Lithgow o ator perfeito.
O filme acompanhou o sucesso do livro, nos EUA. Deu indicações ao Oscar para Lithgow e Close. Ambos venceram o prêmio de melhor ator e atriz da Associação dos Críticos de Los Angeles. O Oscar esqueceu de Tesich, de Hill e de Williams – mas o estrondoso sucesso do filme encobriu as possíveis mágoas.
Os atores seguiram fazendo filmes, mas Tesich e Hill praticamente jogaram as toalhas. Tesich escreveu livros e peças de teatro extremamente pessimistas, morreu em 1996. Hill fez mais dois filmes fracos e encerrou a carreira; morreu em 2002 de complicações do mal de Parkinson.
O que acho mais estranho nesse filme é que parece que ninguém o viu. Parece um filme invisível, que as pessoas sabem que existe (ou existiu) mas que ninguém viu. O fato do livro não ser tão conhecido no Brasil é compreensível; Irving não conseguiu por aqui os medianos êxitos de Wolfe, Mailer e Updike – o pessoalzinho da sua geração. Mas um filme tão bem realizado, com atores soberbos, roteiro inteligente… por quê não foi visto, não pode ser encontrado nas locadoras? Outra: quase não se acha cenas, trechos, textos sobre o filme na internet. Estranho, não? Nem mesmo a bela sequência de abertura eu consegui encontrar no YouTube.
É um filme invisível que eu me orgulho de ter visto um dia na TV – e de ter ainda fresco na memória.

março 13th, 2008 às 14:42
Uma das melhores falas do filme é justamente na cena em que o avião se espatifa contra a casa. Depois do acidente, Garp comenta com a mulher: “Querida, vamos comprar a casa. As chances de outro avião cair nela são inexistentes: ela já é pré-acidentada. Ficaremos seguros aqui!”
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março 13th, 2008 às 22:47
eu vi esse filme há muito, e me lembro de ter achado o maior dramalhão do mundo, e me deixou tão péssimo que passei a odiá-lo. lendo o texto, parece outro filme. talvez se eu visse de novo entendesse diferente.
não pretendo :/
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março 20th, 2008 às 0:28
Eu li, eu vi, eu li, eu vi! Mas gostei muito mais do que li do que do que vi. Li antes, não sabia que já dava para ver quando li. E como gostei muito do que li, fiquei imaginando como seria transpor isso para que fosse visto. Um dia, descobri que podia ser visto, e o raciocínio foi esse mesmo: uau, com Robin Williams, Glen Close, John Lithgow?!?!?! Só podia ser muuuuito bom!!! Mas não era. Não foi. E já fazia tempo que eu havia lido (coisa de 20 anos atrás, e bota pelo menos mais uns 10 até ter visto) e já não me lembrava muitos detalhes, apenas o plano geral, e de alguns acontecimentos impactantes. Mas o que eu vi era algo insosso, acho que faltou maluquice visual para o nonsense trágico da narrativa (coisa que uns Coens ou Tim Burtons da vida, ou mesmo Michel Gondry, resolveriam hoje), ou talvez eu nunca tenha comprado o Robin Williams em papéis ditos sérios (contidos?), Bom Dia Vietnã sendo meia-excessão.
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março 25th, 2008 às 9:43
Eu vi este filme e gostei. Também o considero invisível porque ainda não conhecia ninguém que o tinha visto. Até pensava que era uma ilusão, um sonho, algum arquétipo guardado em minha memória.
Obrigada por me fazer lembrar!
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