psicose – 1960 & 1998

A propósito desse post de Rafael Galvão.

Quando comecei a ter algum entendimento das coisas, botei na cabeça, a partir de informações de adultos e o que lia aqui e ali em jornais, que os filmes de 007 eram diversão, os filmes de Hitchcock eram profundos. Cresci achando que Hitch era chato – com um nome desses podia até ser alemão! E eu adorava James Bond – qualquer coisa que fosse “o contrário” devia ser realmente terrível.

A vida porém é estranha e eu nem conhecia cinema direito quando me vi fazendo um curso sobre o Expressionismo Alemão (!!!) – e achando que aqueles caras Lang, Wiene, Murnau, etc…, não eram nada chatos, não! Ei, os caras eram ge-ni-ais!

Assim, decidi me aprofundar em Hitch e assisti tanto quanto pude (acho que vi todos os filmes lançados em vídeo no Brasil, inclusive os mudos) e li livros como o fantástico “Hitchcock-Truffaut”. Era tudo muito mais divertido que os 007 – sem dizer que a franquia do agente entrava em decadência. Mas eu não estava de todo enganado, já que o gordinho muito havia bebido dos alemães.

Influencia

Críticos, especialistas em cinema, historiadores, estudiosos de quase todas as categorias já se debruçaram sobre os filmes de Hitchcock e não sou eu que vou lançar novas luzes sobre a obra Hitchcockiana, especialmente sobre seu filme mais famoso, “Psicose”. Particularmente, gosto mais de “Um Corpo que Cai” ou “Os Pássaros”, filmes que suportam melhor revisitas. “Psicose” tem uma reviravolta genial, uma conclusão original e assustadora, mas a graça se perde quando revemos. O mesmo acontece com “Sexto Sentido”, do Shyamalan.

Hitch decidiu rodar “Psicose” em preto-e-branco para que o sangue não chocasse muito a audiência – e para dar um clima mais realista a essa história fantástica. Era um diretor que respeitava a platéia – e eu não me impressionaria se, no final da vida, ele decidisse refilmar “Psicose”. Sim, as platéias mudaram – e o que “Psicose” tinha de visualmente assustador talvez tivesse se diluído. O diretor já tinha usado o expediente do remake para dar vida a “O Homem que Sabia Demais” – a primeira versão é de 1934, a segunda é de 1956.

Esse post é para dizer que acho simpático e até importante o remake de Gus Van Sant. A opção por seguir os enquadramentos e o roteiro originais mostra respeito e admiração. A escolha dos atores também. Num primeiro momento, o remake abre nossa percepção para outros pontos do filme, o rejuvenesce, refresca. A seguir, o filme atualiza para a nova platéia. Minha filha que a-do-ra filmes de terror nunca ficou animada em assistir a “Psicose”, especialmente por ser em p&b. Na nova versão, ficou atraente para ela.

Psycho 2

O remake também vira ponte para o original. “Pô, que filme maneiro! Como será o original?” – estou quase ouvindo Isabelle falar, com aquele sotaque carioca carregado dela.
:>)

Puristas podem achar um absurdo, mas eu não acho nada disso absurdo, nem remakes, nem seqüências, nem prequências… Nada. São possibilidades que se abrem e podem e devem ser exploradas. Adoraria ver um Tim Burton fazer um “Gabinete do Dr. Caligari”, assim como adorei ver Coppola refazer o “Drácula”. Acho divertidas as seqüências de “Psicose” (a segunda é legal, a terceira é trash-paródia) e creio que o cinema (assim como a música, mas muito mais que a literatura) se auto-alimenta; então chego a vibrar com filmes como “Temos Vagas” (que emula “Psicose”) ou “Paranóia” (esse último é uma nova homenagem a “Janela Indiscreta”).

É comum, ér, cinéfilos que assistiram a um remake como esse, soltarem: “ah, mas o original é muito melhor!”. A frase, em si, é que não é nada original.

carrie, a estranha - 1976

“Carrie, a Estranha” é um filme que muita gente acredita ter visto um dia e que não merece revisão. Errado: é o momento de rever “Carrie”. Primeiro como um exemplo de cinema politicamente incorreto, que quase não se faz hoje em dia. Segundo, como pioneiro em falar de um tema que está em discussão a pouco, o bullying. Em terceiro lugar pelo deleite da criatividade de Brian DePalma, o Jorge Luis Borges do Oscar.

Carrie Plakat

DePalma teve duas décadas de intensa, criativa e autoral produção cinematográfica. Foi entre os anos 70 e 80 que ele dirigiu (e roteirizou e produziu a maioria) clássicos do suspense como “O Fantasma do Paraíso” (74), “Carrie” (76), “A Fúria” (78), “Vestida para Matar” (80), “Um Tiro na Noite” (81), “Scarface” (83), “Dublê de Corpo” (84), “Os Intocáveis” (87) entre filmes menores mas não desprezíveis. Desde o princípio, todos puderam observar o gosto do diretor por referências cinematográficas, especialmente de dois mestres: Hitchcock e Dario Argento. As referências todas, literárias inclusive, e muito misturadas, afastou a crítica de “O Fantasma do Paraíso”. Mas De Palma as escondeu bem demais no filme seguinte, “Carrie”. “A Fúria” explorou elementos herdados de “Carrie”, que foi um grande sucesso e tem pouca originalidade, apesar de ser um precursor do que Cronenberg faria depois com “Scanners” (81). A partir de “Vestida para Matar”, porém, DePalma assumiu seu referencial – e não o esconde em entrevistas. Porém, expande as possibilidades hitchcockianas por conta, especialmente, do aparato técnico à mão. Mesmo com toda genialidade dos roteiros, da direção e dos, digamos, tributos embutidos, nunca DePalma foi indicado ao Oscar. Nunca.

“Carrie”, que muitos consideram seu filme inicial, merecia uma indicação, num ano que premiou “Rocky” e tinha “Taxi Driver” como indicado. Scorsese, diga-se, é grande amigo de DePalma, também vive de referências cinematográficas e só recebeu uma estatueta no ano passado, por “Os Infiltrados”. As atrizes de “Carrie” ganharam indicações, Sissy Spacek e Piper Laurie. Acho que podemos considerar que “Carrie” e “Taxi Driver” foram os primeiros filmes de Spacek e Jodie Foster, pois não?

Se “Carrie” indicou suas atrizes e dois anos antes “O Fantasma do Paraíso” tinha recebido uma indicação para trilha sonora, a partir de 1976, quando aparece com toda retumbante força em “Carrie”, DePalma é renegado ao ostracismo do prêmio americano maior. Os seus filmes posteriores, não tiveram uma sequer indicação ao Oscar. Nem a originalíssima trama de “Vestida para Matar”, nem o perfeito roteiro e direção de “Um Tiro na Noite”, nem o Al Pacino de “Scarface”, nem o irrepreensível ritmo de “Dublê de Corpo” mereceram uma única indicação. Só em 1987, com “Os Intocáveis”, decidiram dar um prêmio para Sean Connery e indicaram Ennio Morricone, que não ganhou. O ostracismo segue até hoje, de todos os filmes posteriores (que se não foram geniais, foram OK), um filme de De Palma apenas conseguiu uma indicação, para o diretor de fotografia Vilmos Zsigmond, de “Dália Negra”.

O que motiva a Academia a ignorar DePalma?

Algum tipo de “maldição” por Carrie?

Pode ser. “Carrie” é o primeiro livro de Stephen King; sofreu censura e repreensão de grupos religiosos quando foi lançado, em 1974. Adapta-lo para o cinema foi um desafio para De Palma e para o terrível roteirista Larry Cohen – mas eles estavam determinados a levar a história da garota dominada pela mãe fanática religiosa (você imagina um filme com uma mãe castradora-fanática-religiosa hoje em dia?) que acaba sendo provocada pelas colegas de colégio e se vinga com um banho de sangue promovido por sua capacidade telecinética. Ufa! Apesar do plot fantástico, a história é genialmente crível; temos a certeza que um comportamento castrador como o da mãe de Carrie pode detonar poderes ocultos. Bem, vemos isso acontecer diariamente nos noticiários, não é?, com fanáticos explodindo coisas e a si mesmos!

Grupos religiosos (quem mais?) divulgaram que o filme mostrava a religião como algo prejudicial. Estamos em 1976, Richard Dawkins devia freqüentar cinemas.

Sabemos que os grupos por trás dos grandes estúdios simplesmente odeiam polêmicas com lideranças religiosas, lembremos que Scorsese teve um dissabor com “A Última Tentação de Cristo” (88). Podem esses grupos terem renegados ambos a alguma espécie de limbo oscariano?

Não sei, não importa. “Carrie” tem essa presença constante da opressão religiosa como elemento causador, mas não só isso: deve ser o primeiro filme a explorar de maneira dramática (e tendendo ao horror, como bem deveria ser) o bullying. A cena inicial mostra um grupo de garotas num chuveiro coletivo, quando Carrie começa a menstruar pela primeira vez. Os filmes de DePalma têm cenas de chuveiro, sempre em referência a “Psicose”. Nesta cena, Carrie não sabe o que está acontecendo, a mãe não lhe contou sobre a menstruação. Assustada, ela recorre às amigas que caçoam dela, da ignorância dela, e atiram absorventes sobre ela. A montagem da cena pode mesmo lembrar do clássico de Hitchcock: ao invés da faca de Norman Bates temos o macio igualmente machucante de absorventes atirados por ninfetas. Não por acaso, o colégio tem o nome de “Bates High”.

Cinematograficamente falando, se DePalma estava deslumbrado com a descoberta do splitscreen em “O Fantasma do Paraíso”, em “Carrie” ele o usa com comedimento, apenas no momento de real tensão. É uma demonstração de total domínio da arte. Ele recorre ainda ao slowmotion como recurso dramático, mas quem pode dizer que isso não é extremamente funcional num filme de terror?

Temos em “Carrie” a transgressão de conteúdo com grande domínio de técnica narrativa e atualidade dramática, com grandes atores (é o primeiro papel de verdade de John Travolta) e verdade estética.

O que você procura num grande filme?

jogo da morte - 1978

De todos os poucos filmes de Bruce Lee, o póstumo “Jogo da Morte” é, para mim, o mais memorável. Memorável, é bom que se diga, não significa “o melhor”. Seus filmes, na verdade, não eram nem são bons em si. A coisa toda sempre ficou sobre os ombros do belo, esguio, estiloso e miante Lee – com seus pulinhos, gritinhos, roupa colante e o sanguinho no lábio, retirado cui-da-do-as-men-te com a pontinha do polegar. Sim, sim, aquilo hipnotizava a gente.

Fui hipnotizado. Como Tarantino que imitou a coisa toda, inclusive a vingança e o Asics, em “Kill Bill”.

Lee

“Jogo da Morte” estava sendo filmado quando Lee morreu, aos 32 anos, vítima de um AVC por ter tomado um remédio que lhe foi erroneamente indicado. Ele tinha deixado várias anotações, storyboards, idéias e um dublê-discípulo preparado para fazer algumas cenas, caso lhe acontecesse algo (como quebrar uma perna ou uma costela numa luta). Quando morreu, Dan Inosanto estava pronto para assumir o lugar do mestre nas filmagens faltantes. O problema era que Lee tinha deixado poucas cenas gravadas. Havia alguns testes de câmera… E seria difícil tornar tudo plausível. O diretor Robert Clouse, o mesmo do anterior “Enter the Dragon”, reuniu o que podia e achou que ficou bom, era o melhor trabalho que havia feito. Ele teve ajuda: a música de John Barry, 007´s style, assim como a seqüência inicial de créditos, também imitando os filmes de James Bond, de um bom gosto conflitante com o conjunto restante.

Ficou bom? Ainda não. Tinha pouco Lee, apenas 11 ou 12 minutos do ator original, num filme de 100 minutos.

Mas qual o motivo do filme ser mais memorável que outros? Além de algumas das melhores lutas de Lee, no seu auge, é em “Jogo da Morte” que temos o combate de Lee com seu amigo e aluno, o maior jogador de basquete dos anos 70 e de boa parte dos 80, Kareen Abdul Jabbar.

Lee tinha, oficialmente, um metro e setenta e um centímetros (exatamente a minha altura), enquanto Jabbar mede 2,18 metros. A diferença é de quase meio metro.

A lenda diz que a seqüência da luta entre os dois não estava pronta quando Lee morreu, ele queria refilmar. Podia não ser tão interessante quanto a competição (no nível pessoal, inclusive) entre Lee e Chuck Norris, mas certamente, se fosse refeita, podia ser a luta entre os dois seres mais estranhamente diferentes da face da terra: um sino-americano nanico, um afro-americano gigante.

(Não consegui embedar o vídeo, veja aqui.)

As complicações por conta da morte de Lee durante as gravações de “Jogo da Morte” serviram de mote para um novo filme aparentemente hilário, chamado “Finishing the Game”, cujo trailer engraçadíssimo pode (e deve!) ser visto aqui.

o mundo segundo garp - 1982

O roteirista Steve Tesich ganhou o Oscar pelo seu primeiro roteiro, para o filme de disputa entre ciclistas, “Correndo Pela Vitória” (1979), de Peter Yates. O roteiro foi considerado tão bom que ganhou os principais prêmios, tornando-se um modelo para filmes de competição.

Tesich foi contratado a peso de ouro (para a época) para fazer o roteiro de um best-seller de um dos mais importantes autores americanos: “O Mundo Segundo Garp”, de John Irving. O escolhido para a direção foi George Roy Hill, que vinha de uma série de filmes de sucesso com Robert Redford e Paul Newman, como “Butch Cassidy e Sundance Kid” e “Golpe de Mestre”.

Hill estava acostumado com grandes astros, mas precisava de um “rosto sem história” para esse projeto. Garp, o personagem principal, era um sujeito estranho, estranhamente bem-humorado, um escritor que se leva a sério enquanto convive com figuras sensacionalmente hilárias. O nome escolhido foi do iniciante Robin Williams, que tinha sido o “Popeye” de Altman e vinha de aparições na TV. “O Mundo Segundo Garp” foi seu primeiro filme sem (muitas) caretas e quilos de maquiagem.

A mãe de Garp é um personagem relevante, uma feminista irascível da primeira hora, e precisavam de uma grande atriz. Uma atriz que também havia feito alguns telefilmes estava sendo muito comentada nos bastidores – e foi logo cooptada: Glen Close. Para o trio de personagens principais, para o papel da travesti Roberta, queriam um homem grande e meio desengonçado e encontraram em John Lithgow o ator perfeito.

World According To Garp

O filme acompanhou o sucesso do livro, nos EUA. Deu indicações ao Oscar para Lithgow e Close. Ambos venceram o prêmio de melhor ator e atriz da Associação dos Críticos de Los Angeles. O Oscar esqueceu de Tesich, de Hill e de Williams – mas o estrondoso sucesso do filme encobriu as possíveis mágoas.

Os atores seguiram fazendo filmes, mas Tesich e Hill praticamente jogaram as toalhas. Tesich escreveu livros e peças de teatro extremamente pessimistas, morreu em 1996. Hill fez mais dois filmes fracos e encerrou a carreira; morreu em 2002 de complicações do mal de Parkinson.

O que acho mais estranho nesse filme é que parece que ninguém o viu. Parece um filme invisível, que as pessoas sabem que existe (ou existiu) mas que ninguém viu. O fato do livro não ser tão conhecido no Brasil é compreensível; Irving não conseguiu por aqui os medianos êxitos de Wolfe, Mailer e Updike – o pessoalzinho da sua geração. Mas um filme tão bem realizado, com atores soberbos, roteiro inteligente… por quê não foi visto, não pode ser encontrado nas locadoras? Outra: quase não se acha cenas, trechos, textos sobre o filme na internet. Estranho, não? Nem mesmo a bela sequência de abertura eu consegui encontrar no YouTube.

É um filme invisível que eu me orgulho de ter visto um dia na TV – e de ter ainda fresco na memória.

invasores de corpos [ou] vampiros de almas [ou] the invasion of the body snatchers - 1978

De todos os filmes que chegaram às telas aí pelo final do ano, nenhum me deu tanta vontade de ver do que “A Invasão”, o quarto remake de um dos roteiros mais geniais da história do cinema, baseado numa história que tem um leitmotiv único: como seria se os nossos inimigos tivessem a aparência das pessoas que amamos?

Invasion 1

O filme original, de 1956, de Don Siegel, é obra-prima da ficção científica e clara metáfora/analogia do macartismo, quando a América caçava comunistas que bem podiam ser os seus simpáticos vizinhos. O primeiro filme que vi – e reputo genial – é o primeiro remake, de 1978, de Philip Kaufman. Assisti com 10 ou 11 anos, quando passou na Globo. Eu estava deitado sozinho no sofá vermelho da minha vó, era um sábado, já tinha todo mundo ido dormir. Eu fiquei até o fim porque depois de vinte minutos de filme tinha a plena convicção de que jamais eu sairia daquele sofá – nem mesmo para desligar a televisão. Na verdade, penso que estou naquele sofá até hoje.

O filme de Kaufman saiu no Brasil em VHS, mas acho que nunca em DVD. Pena. Se não tem a carga dramática dos tempos políticos do original (embora em 1978 a América vivesse o escândalo Watergate), “Os Invasores de Corpos” de Kaufman é mais cinema, é mais terror e mais… atores bacanas. Sim, um filme de terror científico com Donald Sutherland, Leonad Nimoy, Veronica Cartwright e Brooke Adams já valeria uma olhada. Aliás, vale ressaltar que a fotografia do filme é de Michael Chapman.

Invasion 3 Invasion 5

Depois, em 1993, fiquei sabendo que Abel Ferrara faria um remake – e achei que podia dar merda, mas o filme ficou realmente bom. A grande sacada de Ferrara foi colocar um base militar como epicentro da dominação dos aliens. Numa base militar as regras são rígidas e todos se vestem do mesmo jeito então… fica ainda mais difícil saber quem está clonado. O roteiro do “Body Snatchers” de Ferrara reúne alguns dos grandes cérebros do cinema trash, como Larry Cohen e Stuart Gordon então só podia sair coisa boa. O filme foi indicado para a Palma de Ouro.

Depois de três filmaços como esses, reuniram o diretor de “A Queda – As Últimas Horas de Hitler”, Oliver Hirschbiegel com Nicole Kidman e Daniel Craig para o que poderia ser um grande remake. O que fizeram foi não só lamentável: devia haver alguma corte para julgar e condenar pessoas que fizeram algo como esse “A Invasão”. Tristemente horrível. Basta dizer que o final pessimista, presente nos três filmes anteriores, não é mantido. No lugar temos um reluzente café da manhã em que Kidman e Craig estão a ler jornais e dizer como o mundo é um lugar horrível para se viver.

Invasion 4

O mundo é mesmo um lugar horrível para se viver. Depois de um filme como esse, não dá para se fazer outra constatação.

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