memórias de um ex-morfinómano - reinaldo ferreira - 1933

Adoro bancas com promoções de livros, discos, filmes. É sempre possível achar alguma coisa estranha, estranhamente barata. Um dia estava na Saraiva Campinas e parei numa dessas bancas. Dei de cara com esse livro e… comprei. Depois de ler embasbacado, emprestei para o Cardoso; acho que Reinaldo Ferreira foi um precursor de Hunter Thompson.

Memorias De Um Ex Morfinomano

Reinaldo Ferreira foi um dos mais importantes jornalistas portugueses nas décadas de 20 e 30. Ele assinava várias matérias como Repórter X e chegou a ter um jornal com esse nome. Culto e de escrita fluente e espirituosa, Ferreira tinha um grande problema: era viciado em morfina.

Ele se picava diariamente. E muitas das matérias que escreveu, provavelmente, foram sob influência da droga. Descobriu-se depois de sua morte que muitas dessas reportagens não eram reais - mas sim criadas pela mente viajandona do repórter.

O cara tentou se curar, se internou em uma clínica e, lá, produziu seu livro “Memórias de um Ex-Morfinómano” (relançado pela Editora Dantes, 1999) - deliciosa reportagem-confissão em que ele conta fatos envolvendo drogas e a vida jornalística das primeiras décadas dos 1900.

O fato é que, infelizmente, nosso Repórter X não conseguiu vencer o vício e pouco depois da internação se jogou nos braços da morfina, morrendo em 1935 com apenas 37 anos de idade – idade que eu tenho hoje.

O que fico aqui a pensar… Será que se ele não tivesse o vício seria tão genial? Não teria sido efetivamente o vício em morfina que o fez famoso - com o livro e com as matérias tão cheias de espírito? Confira um dos mais famosos contos desse livro, no meu outro blog.

Reporterx 0b

A vida de Reinaldo Ferreira gerou um filme cult português… Se algum leitor português conseguisse uma cópia para mim, eu ia ser eternamente grato.

primitivo - 2007

A gente entra na locadora e vê um filme chamado “Primitivo”, com uns dentões de jacaré na capa e diz “pffff”. E acaba levando algo como “Huckabees”, com Isabelle Huppert, Dustin Hoffman, Jude Law, Mark Wahlberg, Naomi Watts.

Cartaz1

Acredite, você devia ter levado o filme do jacarézão. Sem entrar no mérito de “Huckabees”, que aqui é só usado como exemplo, “Primitivo” não tem ninguém famosão, nem um diretor cult. O diretor Michael Katleman vem da TV, onde dirigiu episódios de “Gilmore Girls”, “Taken” e “Smallville” entre vários outros. “Primitivo” é seu primeiro grande filme e, apesar de toda aura trash que “gruda” em um projeto assim, Katleman é um profissional que vê o que pode extrair de melhor de um roteiro que não é brilhante – apesar de assinado pela dupla John Brancato e Michael Ferris, responsáveis por “The Game”, de David Fincher. Baseado na história real de um enorme e mítico crocodilo que atacava uma aldeia no Burundi, Katleman explora as belas paisagens africanas com uma direção de fotografia de babar. Os efeitos especiais são acima da média, com o animal assassino reconstruído basicamente em CGI. E os atores… bem… é difícil pensar numa gostosa como Brooke Langton ali, no meio do mato, prestes a servir de petisco prum lagarto de Itu. 

Brooke

Bem, mas é um filme de terror passatempo… Se você quiser algo real, vai ver o “Homem Urso”, do Herzog.:>)  

the day the clown cried - 1972

Adoro filmes obscuros, até aqueles que nunca assisti. Acho que tinha ouvido falar desse “The Day The Clown Cried” em algum chat sobre filmes desaparecidos. Recentemente, num papo de MSN com o Almirante Nelson Moraes, ele disse que vinha investigando sobre o filme. Nelsão é investigador amador de coisas pop-obscuras e levantou muita coisa essa estranha obra; um filme de Holocausto com Jerry Lewis. É mole? Falei no MSN com o Nelson sobre ele e aqui está o papo:

Biajoni diz:
nelsão, onde vc ouviu falar desse filme a primeira vez?

Nelson Moraes diz:
Já tinha ouvido falar muito por alto, mas ontem, ao vasculhar a bio do Jerry, atrás dos stand-ups que ele já fez, deparei de novo com esse famoso “filme perdido” dele. E aí comecei a garimpar na web a respeito.

Biajoni diz:
o que descobriu sobre o enredo?

Nelson Moraes diz:
Em 72, depois dos produtores terem considerado o Dick Van Dyke, acabaram entregando o papel ao Jerry. Ele faz um palhaço levado a um campo de concentração, para entreter as crianças que serão executadas na câmara de gás. O tema já despertava um mal-estar junto aos estúdios, tanto que o roteiro cumpriu o célebre trajeto “de mão em mão”, até que o produtor Nat Wachsberger topou a parada. Só que faltou dinheiro para terminar a produção, e então o Jerry tirou do próprio bolso a verba necessária para a conclusão, além de assumir a direção da fita.

Clown

Biajoni diz:
e ele mesmo dirigiu? estranho, né? ou ele acabou assumindo a direção? (estranho por sair da seara pastelão)

Nelson Moraes diz:
As coisas foram acontecendo meio por acaso. O Jerry assumiu a direção pensando em viabilizar a fita, além de, como eu falei, ter financiado a finalização dele. E, sim, o filme é uma insólita exceção na filmografia dele, pela aridez do tema e pela polêmica despertada, já que, pelo que consta, o final é extremamente melancólico.

Biajoni diz:
é verdade que não mais que uma dúzia de pessoas viu esse filme? e o lewis guarda o filme a sete chaves?

Nelson Moraes diz:
Exato. O filme, por conta de problemas de acabamento, distribuição e negociação de direitos autorais, nunca foi lançado. E o Jerry guardou o copião consigo. Só uns poucos felizardos tiveram a chance de assistir, entre eles o ator Harry Shearer (um dos dubladores dos Simpsons), e disse, abre aspas, que o filme era perfeito em sua ruindade (risos).

Biajoni diz:
hahahahaha
Biajoni diz:
o filme feito em uma época em que não havia essa rapidez de pirataria…. senão já estaria na rede.

Nelson Moraes diz:
Bom, aqui (http://www.subcin.com/clowncried.html) você fica sabendo sobre o que está disponível na rede (pedaços de makings of, documentários e tratamentos de roteiro).

Clowncried

Biajoni diz:
pelo jeito existe toda uma FAUNA de adoradores do filme. gente que nunca viu e se come de curiosidade.
 
Nelson Moraes diz:
Sim, a coisa ganhou ares míticos, até porque se tratou do “filme perdido” do Jerry Lewis. E as curiosidades em torno dele só alimentam isso. Por exemplo, você fica sabendo pelo imdb que o Orson Welles faz uma ponta, interpretando o Harry Lime (!), que foi o personagem dele no “Terceiro Homem” (!!!)

Biajoni diz:
essas coisas vão se avolumando, vai dizer?
Biajoni diz:
me lembra a história de SMILE dos beach boys… quando veio à tona vimos que não era um disco tão bom assim… a história do disco é melhor que o disco EM SI.

Nelson Moraes diz:
Sem dúvida. Pra você ter uma idéia, um escritor americano, o Laurence Klavan, escreveu um livro, “The Shooting Script”, que é sobre um detetive no encalço da cópia em celulóide do “The Day The Clown Cried”.

Biajoni diz:
caraca! isso sim é total cult. 
Biajoni diz:
pode ser que aconteça isso com esse filme. cria-se uma expectativa monstruosa e, no final, acaba sendo só uma curiosidade mesmo…

Nelson Moraes diz:
Claro, excelente a analogia com o Smile, do Beach Boys. Porque é isso mesmo. A mitificação do fenômeno acaba sendo mais atraente do que o que está por trás dele. Pode até ser que, como o Harry Shearer disse, a coisa seja uma bomba (até porque, onde sei, ele não chegou a receber o final cut, ficando só como copião mesmo - e aí dificilmente um filme apresenta qualidade narrativa), mas enquanto o grande público não tiver acesso à obra, o mistério sobre “O dia em que o palhaço chorou” vai continuar instigante, alvoroçante.

Biajoni diz:
você se coça de curiosidade pelo filme?

Nelson Moraes diz:
Needless to say, né, Bia? É claro que não espero nenhuma obra-prima, mas o fato da película ter a história de contratempos que teve, o ineditismo do tema (para a filmografia do Jerry) e os detalhes-lenda que só vão ser esclarecidos na exibição propriamente dita são suficientes para dar vontade de receber um Indiana Jones e sair escavando atrás do Jerry Lewis’ lost movie. Ou não? (risos)
Nelson Moraes diz:
(a título de P.S.: a Harriet Andersson, atriz bergmaniana que fez parte do elenco, ao ser entrevistada sobre o filme, disse que não gostaria muito de falar a respeito. Parece a maior jogada de marketing, hem?)

Biajoni diz:
jogada de marketing? hmmm, não sei. mas intrigante sim, sem dúvida.

*Se você tiver se roendo de curiosidade, basta guglar o filme e achar umas coisas bem interessantes.

and then nothing turned itself inside-out - 2003

[ou]
Um maravilhoso disco do Yo La Tengo e as emoções que ele me provoca

Era um sábado, de outono, talvez. Fomos ao Shopping Iguatemi, eu e Ana, minha mulher à época. Almoçamos por lá e passamos numa livraria onde eu me demorava com os CDs e os livros e a Ana achava ruim. Achava. Tentando me conter para não gastar mais do que podia, peguei o último, na ocasião, do Yo La Tengo - e fiquei fazendo uma cena para levar… A Ana lá, de olhos compridos. Eu, com culpa por gastar mais dinheiro em CD.

Eu já tinha o primeiro disco do trio de Hoboken. A crítica estava falando de uma mudança no som deles e eu estava interessado… Comprei. A Ana… Fomos pro carro, meu inesquecível Corsa com som bom. A tarde caía. O céu estava vermelho. Rasguei com ânsia o celofane - e coloquei lá a bolachinha.Nos primeiros acordes de “Everyday”, naquela tarde lânguida, com aquela mulher ali do meu lado, a conversa nenhuma, eu me emocionei. As músicas foram se sucedendo, suaves, sem a quebradeira característica do grupo… As letras quase ininteligíveis - mas nem precisava. Era só o som. E o lusco-fusco. E a presença simples. E o vento entrando pela janela. E.

Yo La Tengo And Then Nothing Turned Front

Corta.

Alguns meses depois o grupo vem ao Brasil para um show no Sesc-Pompéia. Era uma quinta feira. Nossa amiga Tilê, do Sesc-Piracicaba, havia arranjado um esquema com os ingressos que não eram vendidos nem pela internet nem pelo telefone. Devíamos procurar um cara lá em Sampa que estaria com os tíquetes. Saímos mais cedo do trampo para chegar a tempo. Chegamos - mas o cara não estava lá, como combinado. Estávamos na capital, excitados para ver o show e sem os ingressos. Caridosa, uma funcionária do local, por saber de nossa condição, deu a saída: podíamos assistir ao show, mas não havia mais cadeiras; ia nos colocar no palco - assistiríamos ao show exatamente assim, em cima do palco, do lado dos músicos. E assim foi.

Lá, em cima do palco, esperando que o trio entrasse, pensei como as adversidades podem ser convertidas em benefícios. O show aconteceu perfeito, o show da minha vida. Eu ali, com Ana, sentado no minúsculo palco, há pouco mais de dois metros da banda. E as músicas de “And then Nothing Turned Itself Inside-Out” se sucedendo - uma a uma.

Uma noite inesquecível. Ainda saí com o set-list das mãos.

Corta.

A Ana saiu de casa. Nos dois últimos meses o afastamento havia sido progressivo e constante. Ninguém sabia o que tinha acontecido. Sem briga ou discussões - apenas o rompimento gradual. Precisávamos dividir as coisas, separar os CDs. Ela pediu que eu fizesse isso, já que a maioria dos discos eram meus “pré-união”. Separei os que eram dela e mais alguns que gostaria que ficassem com ela. Entre eles, o fatídico álbum em questão, “And Then Nothing Turned Itself Inside-Out“. “Leva esse pra você”, falei. “Depois eu compro outro pra mim”. Não comprei. Ficou na memória a batidinha programada de “Saturday”.

Corta.

Passado um ano da separação, Ana e eu restabelecemos algum contato. Ambos fazemos aniversário em Outubro e nos cumprimentamos e saímos pra comer alguma coisa e trocamos e-mail e telefonemas. Fui levar um presente no seu aniversário e pedi emprestado o disco do Yo La Tengo. Ela emprestou, claro. Cheguei em casa, coloquei o disco em cima da mesa e ele ficou lá. Não escutei. Não queria escutar. Achei que não devia escutar. O disco ia desencadear uma série de lembranças que não queria reviver - ou não estava a fim de reviver. O disco ficou lá.

Corta.

Ligo para a Ana no sábado. Puro impulso - queria saber se estava tudo bem. Não estava. Tinha batido o carro na sexta, estava bem abalada. Foi um acidente ruim. Fiquei compadecido, nada podia fazer para ajudar. Não podia oferecer nada - apesar de querer oferecer-lhe toda companhia e bem-estar do mundo. Senti-me impotente. No mesmo sábado, meu carro velho sofre uma pane e sou obrigado a passar o feriado todo em casa, sozinho. O que se faz sem um carro?

Domingo, cuido da casa, ouço alguns discos do Cohen que compramos, eu e Ana, em Buenos Aires, numa promoção. De uma só tacada compramos sete discos do Cohen. O dólar valia um peso que valia um real. A grossa voz do canadense rolando e o disco do Yo La Tengo em cima da mesa.

Não vou ouvir essa porra, pensei.

Yo La Tengo

Vou deitar por volta das onze e fico mais de uma hora e meia lendo. Quando acho que está na hora de dormir, apago as luzes e o sono não vem. Não vem. No relógio, duas da manhã. Daqui a pouco, três.

Levanto. Nada a fazer. Morfeu nada quer comigo. Ou será alguma outra coisa? Vou até a cozinha tomar um copo d’água. O CD está lá. O CD está lá há uns vinte dias - e vou ouví-lo às três da manhã de domingo, com insônia. Preciso escrever alguma coisa.

Quando alguém gosta de música e realmente se deixa tocar pelo som e pela poesia e pela persona do artista ou do grupo ou, ainda, quando se cria algum tipo de identificação invisível entre ouvinte e o objeto artístico, aparece algo único - uma possibilidade de epifania quase religiosa. Naquele sábado, lá na Saraiva, podia ter escolhido outro disco ou comprado nenhum -, como bem dizia a razão. E tudo o que aconteceu envolvendo esse simples disquinho não teria acontecido. Provavelmente nem teríamos ido ao show. E nesse domingo insone não estaria escrevendo isso.

Bem no geral, esse disco do fala sobre verdades e mentiras. A capa tem um cara em frente a uma casa, à noite, possivelmente em contato com um disco voador - uma luz estranha incide sobre ele.

A foto lembra o surrealista Magritte. Entretanto, no parco encarte, encontramos a foto de uma pessoa com um cortador de grama fazendo um daqueles famosos e inexplicáveis círculos concêntricos em uma plantação. Aquele fenômeno que rendeu aquele ótimo filme do Shyamalan, “Sinais“.

Não se pode saber o quanto de verdade existe por trás dos ETs assim como não sabemos quanto de verdade se esconde - ou se apresenta - por trás de nossos sentimentos. ETs existem? É possível! Eu amo essa mulher? É possível! Mas provar, provar mesmo, com aquela prova irrefutável, com aquele carimbo fantástico, com aquela firma reconhecida inefável… Isso é impossível!

Mas a vida da gente, diz aí meu amigo, não é uma sucessão de pequenos pedaços? Minha vida não seria mais pobre, não faltaria um pedaço, se eu deixasse de levar aquele disco naquele dia?

O amor existiu ou ainda existe? Não se sabe, não se pode saber… Em alguns momentos, como aparições fugazes de OVNIs, certamente, ele esteve lá. Ou cá. Ou em todos os lugares.

(Originalmente publicado no Tiro&Queda, republicado em 17/09/2005, no Sublinhando. Para Mônica Ribeiro)

manhunter - 1986 - & acerca de hannibal lecter

No início das videolocadoras, lá pros anos de 1982, quando o VHS ainda disputava com o Betamax, a gente encontrava uns filmes dos quais nunca mais ouviríamos falar.

Geralmente eram filmes B, mal e porcamente dublados. Aprendi um pouco de inglês assistindo a esses filmes, prestando atenção nas falas, tentando entender o que os atores diziam, já que não podia ser aquilo que mostravam as legendas.

Na TV passava coisa melhor do que achávamos nas locadoras - e quando falamos em TV, devemos lembrar que não havia mais que 5 canais abertos. Algumas locadoras GRAVAVAM filmes da TV e ofereciam aos clientes.

Um dos filmes que vi e me lembro - lembro de poucos - é “The Keep” (1983), do Michael Mann. Gostei muito; a forma, a estética do Mann já me conquistou nesse filmeco ruim…

Foi o bastante para me chamar a atenção para o próximo filme de Mann: “Manhunter” (1986). Clique neste link e veja se você conhece algum site não-oficial de algum filme tão completo.

Trata-se da primeira adaptação para o cinema de um livro de Thomas Harris, o criador de Hannibal Lecter. Na verdade, o primeiro livro de Harris: “Dragão Vermelho”.

Não sei o motivo, mas mudam, em “Manhunter”, o nome de Hannibal Lecter para Hannibal Lektor - o que não atrapalha. Quem faz o papel do canibal é o excelente Brian Cox que certamente serviu de inspiração para Anthony Hopkins compor o personagem definitivamente a partir de “Silêncio dos Inocentes“.

Manhunter Lektor

William Petersen é Will Grahan, o agente do FBI que perseguiu e prendeu Lecter (ou Lektor) e ficou traumatizado - papel que Edward Norton não conseguiu encarnar no remake de Brett Ratner. O serial-killer Francis Dollarhyde é do ator/roteirista/diretor Tom Noonan - e Ralph Fienes não chega aos seus pés no novo “Dragão Vermelho“.

A principal diferença desse filme dentro da série pós-Silêncio dos Inocentes é… a luz.

Mann faz um filme luminoso, contrastando com o interior sombrio dos personagens. É a mesma fotografia da série criada por Mann, “Miami Vice”. Jonathan Demme fez um “negativo” do filme de Mann, em “Silêncio dos Inocentes”… Em “Manhunter” a prisão de Lecter é limpa, branca, asséptica, ao contrário da sombria catacumba de Hopkins.

É engraçado… talvez por ter visto primeiro o filme de Mann, leio os livros de Harris com essa estética em mente, e não aquela escura, quando Lecter se esgueira pelas sombras da noite.
Lecter não é um vampiro, não parece ser um sujeito que precisa do escuro.

Senti que um pouco dessa estética foi resgatada com o último filme da série, que conta, na verdade, a infância/juventude do canibal; “Hannibal - A Origem do Mal“. A crítica detonou tanto o livro de Harris (que acusaram de oportunista) como o filme. O livro está longe dos momentos inspirados de Harris, mas defendo o filme. O diretor Peter Webber é o mesmo do elogiado “Moça com Brinco de Pérola“. O sujeito tem um apurado senso estético, é um cinéfilo que adora citações - algumas bastante eruditas - e começou na TV, dirigindo, inlcusive, episódios de séries. Justamente como Michael Mann.

Mas só Mann para escolher as horas mágicas certas para filmar. Webber ainda tem que treinar um pouco.

Abaixo, cenas de “Manhunter”.

Manhunter Red Dragon

Manhunter Crime

Manhunter Bill

William L Petersen Will Graham Learjet

Manhunter Lektor2

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